Medicina, agricultura e electrónica são as principais áreas de aplicação da nanotecnologia
:: 2007-11-20
Luís Magalhães destaca impacto sócio-económico
A medicina, a agricultura e a electrónica são as áreas onde o impacto económico e científico das Nanociências e Nanotecnologias mais se fará sentir nos próximos anos, disseram hoje cientistas reunidos em Braga.
"Do futuro desta área da Ciência e Tecnologia é esperado um elevado impacto sócio-económico para a Europa", disse João Sentieiro, presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia, na sessão de abertura da Conferência de Alto Nível sobre Nanotecnologia, a decorrer na Universidade do Minho, em Braga.
A conferência, realizada no âmbito da Presidência Portuguesa da União Europeia e que termina quarta-feira, junta decisores políticos, cientistas e responsáveis por empresas nas áreas da nanociência e da nanotecnologia. "A nanotecnologia é a tecnologia de fabricar estruturas com moléculas e átomos. É como se os tijolos usados na nanotecnologia fossem os átomos e as moléculas", explicou Luís Magalhães, presidente da agência para a Sociedade do Conhecimento.
Na medicina, a "intervenção" é feita a nível molecular. "É como se iludíssemos as moléculas e as puséssemos a fazer o que queremos que elas façam e não o que seria 'natural' fazerem", explicou Mário Barbosa, responsável do Instituto de Engenharia Biomédica da Universidade do Porto. Uma equipa coordenada por este cientistas está a investigar a aplicação da nanomedicina na regeneração de tecidos ósseos e na detecção precoce do cancro gástrico, uma investigação ainda em fase de laboratório.
Expectativas na nanomedicina
É na nanomedicina que os especialistas portugueses e estrangeiros depositam mais expectativas de que, no mais curto espaço de tempo, sejam disponibilizados medicamentos e instrumentos médicos. Desde estimuladores eléctricos para doentes cardíacos, a implantes para a retina, sensores de glaucoma e revestimentos biocompatíveis aplicados em implantes, passando pelos implantes, sem fios, para monitorização da pressão intercraniana em pacientes que sofram de traumatismo craniano grave ou de hidrocefalia, as potencialidades da nanotecnologia são infindáveis.
"O problema é que tudo isto custa muito, mais muito dinheiro. Desde as primeiras investigações até o produto surgir no mercado, são precisos muitos anos, muita investigação e muito dinheiro", disse ainda o coordenador cientifico do Instituto de Engenharia Biomédica da Universidade do Porto.
Na área da agricultura, um projecto desenvolvido em França e em Itália promove "uma forma inteligente de produzir vinhos". Na prática, os produtores de vinho colocaram nos seus terrenos uma rede de sensores, sem fios, que monitoriza continua e directamente a produção. O sistema, que ainda não está comercializado, permite monitorizar as plantas e o ambiente em redor, adquirindo uma consciência mais profunda das mudanças no terreno, permitindo optimizar tarefas como a rega e a aplicação de pesticidas.
Obras em 2008
Na conferência, que decorre até quarta-feira em Braga, participam responsáveis por cerca de vinte e cinco laboratórios de investigação de dez países e do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia que está ser instalado em Braga.
O laboratório foi criado, em Novembro de 2005, durante uma cimeira entre Portugal e Espanha e pretende vir a constituir-se como um laboratório de "excelência científica internacional". Luís Rivas, presidente da comissão instaladora, disse que em 2008 vão começar as obras de construção do centro e começaram a ser contratados os primeiros dos duzentos investigadores com quem o Laboratório Ibérico irá trabalhar.