http://jn.sapo.pt/2008/01/25/sociedade_e_vida/genoma_sintetico_primeiro_passo_para.htmlInvestigadores norte-americanos do Instituto Venter anunciaram, ontem, a criação em laboratório do primeiro genoma sintético de uma bactéria, um passo tido como crucial para a criação de uma forma de vida artificial e com aplicações que se prevêem de elevada importância. Trata-se da maior estrutura de ADN - a estrutura-base da vida - alguma vez fabricada pelo Homem, destacam os autores deste estudo, publicado, ontem, na revista científica norte-americana "Science". "Isto representa um avanço entusiasmante para nós investigadores e para esta disciplina", afirmou Dan Gibson, o principal autor do estudo, no qual também participou Craig Venter, fundador do Instituto e um dos mais controversos pioneiros da Biotecnologia.
Os trabalhos continuam agora, diz Gibson, com o "objectivo último" de "inserir um cromossoma sintético numa célula (viva) para criar o primeiro organismo artificial".
"Demonstrámos que é possível criar artificialmente grandes genomas e ajustar o seu tamanho, o que abre caminho para potenciais aplicações importantes, tais como a produção de biocombustíveis ou para o absorção de dióxido de carbono (CO )", explicou, por sua vez, Hamilton Smith, um dos co-autores da investigação.
De acordo com o investigador, através desta descoberta será também possível "produzir organismos artificiais para o tratamento biológico de resíduos tóxicos", entre outros.
O principal autor do estudo, Dan Gibson, precisou que a pesquisa "representa a segunda das três etapas para a criação de um organismo vivo inteiramente artificial".
A primeira etapa foi concluída no ano passado, com a transferência do genoma de uma bactéria para uma outra bactéria, dando origem a uma espécie diferente.
Na etapa final, os investigadores do Instituto Venter vão tentar criar uma célula artificial de bactéria baseada no genoma sintético da bactéria Mycoplasma genitalium, que acabam de reproduzir.
Eckard Wimmer, professor de Biologia Molecular no Departamento de Genética Molecular da Universidade de Nova Iorque, questionou-se, em declarações à agência France Presse, sobre o motivo por que a equipa de Venter não criou um organismo artificial, o que seria já possível nesta segunda etapa.
Entretanto, vários grupos canadianos e britânicos de vigilância ética criticaram o trabalho, renovando os apelos para que seja estabelecida uma moratória sobre a produção e comercialização de organismo sintéticos "Achamos inaceitável que empresas privadas joguem com os elementos-base da vida para o seu próprio lucro".